Cameron (também conhecido como Cam) Wolfe tem 15 anos e três irmãos mais velhos: Steve, Sarah e Ruben, o irmão mais próximo. Com ele, Cameron planeja todo o tipo de crime pelo bairro. Crimes que nunca vão acontecer, claro, porque mesmo sendo casos perdidos (nunca são tão bons quanto o irmão Steve), são filhos de uma mãe durona e de um pai encanador que se esforçam para manter a família mesmo sem muitos recursos, e não se atreveriam a qualquer coisa do tipo.
Mesmo aparentemente normal, Cameron é infeliz. Não do tipo com
depressão, mas Cam é o tipo de pessoa com a crise existencial da adolescência
e, sendo um Wolfe, tanto Ruben quanto ele querem provar seu valor. Cameron quer
provar para ele mesmo e para os outros que não é um perdedor, ainda mais quando
se apaixona por Rebecca Conlon. A partir daí, ele se esforça para mudar e
provar que é um vencedor.
“Jurei que, se um dia eu tivesse uma
namorada, eu a trataria direito e nunca seria mau nem safado com ela, nem a
magoaria. Nunca. Jurei e tinha toda a confiança do mundo de que manteria a
promessa.”
Se você procura por uma história onde o personagem principal, por
algum milagre, se torna o mais popular e no final toma um golpe na consciência
e percebe que aquilo tudo não é o que ele queria, tenho uma notícia: não é essa
a história que você deveria ler.
“O Azarão” é o primeiro livro de uma trilogia que gira em torno
dos irmãos Rube e Cameron Wolfe, e mostra a formação dos dois. Na verdade,
revela um pouco da formação de muita gente, já que Zusak molda um personagem
que carrega toda a dúvida, aflição, medos e ansiedades de quase todas as
pessoas no mundo na idade dos irmãos Wolfe, especialmente Cam, que tem um quê
de autobiográfico, como o autor já disse.
Não é um livro sobre como a adolescência é ótima e traz os
melhores momentos da vida: é sobre como as decisões e atitudes que você toma
nos piores momentos dessa fase definem quem você é. Cameron pode não se tornar
o garoto mais popular da escola (aliás, a escola é muito pouco citada no
livro), mas eu posso dizer que ele mudou. Não porque alguém o influenciou, mas
porque ele precisava parar de ficar se lamentando no sofá de casa enquanto os
dramas de todo mundo se desenrolavam à sua volta.
“Foi aí que decidi que precisava decidir uma
coisa. Precisava decidir o que ia fazer e o que ia ser. Estava de pé ali,
esperando que alguém fizesse alguma coisa, até perceber que a pessoa que eu
estava esperando era eu mesmo. Tudo dentro de mim estava dormente, vagamente
vivo, quase como se não ousasse se mover, esperando a minha decisão.”
Esse foi, sem dúvida, um dos melhores livros que já li. A escrita
é simples, os capítulos são divididos pelas narrações dos sonhos que sempre
confundem ou assombram Cameron, a história é comum e, ao mesmo tempo,
extraordinária, porque mostra algo que todo mundo quer: uma chance de mostrar
que pode fazer algo. Talvez isso não torne Cameron um vencedor, mas com certeza
os difere dos perdedores: disposto a tomar uma atitude, ele é um lutador.
E você, já leu o livro ou quer ler? Gosta do autor? Comente aí
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